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quarta-feira, 18 novembro, 2015 - 22h12

DNPM confirma risco de rompimento de barragens

O Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) confirmou que há risco de rompimento das barragens de Santarém e dos diques de Sela, Selinha e Tulipa – estruturas da barragem de Germano -, em Mariana (MG)

   

A informação foi divulgada hoje (18) em audiência pública na Câmara dos Deputados.

O presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias, Sarney Filho, durante audiência pública para debater o rompimento de barragens de Mariana (MG), ocorrido em 5 de novembro disse que as multas aplicadas à Samarco não tem relação com a obrigação de recuperar o rio.

"Temos que nos precaver", disse o diretor de Fiscalização do DNPM, Walter Arcoverde. O presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Extração de Ferro de Mariana, Ronaldo Alves Bento, também disse que existe iminente risco de rompimento. “Tem gente que não foi desmobilizada em Barra Longa e outros distritos. Temos que nos preocupar, sim, com um plano de ação”.

Há doze dias, uma barragem de rejeitos da mineradora Samarco - controlada pela Vale e pela BHP - se rompeu e destruiu o distrito de Bento Rodrigues, deixando mais de 600 moradores desabrigados. Sete mortos foram identificados, quatro corpos aguardam identificação e 12 pessoas permanecem desaparecidas. Ontem, a Samarco admitiu o risco de rompimento das duas barragens.

Antonio Cruz/Agência Brasil
Rompimento de duas barragens de rejeitos ( produtos de mineração) da empresa Samarco deixou cenário de muita lama, barro e destruição. O que restou lembra uma cidade fantasma (Antonio Cruz/Agência Brasil)
Rompimento de duas barragens de rejeitos ( produtos de mineração) da empresa Samarco deixou cenário de muita lama, barro e destruição. O que restou lembra uma cidade fantasma

Segundo os participantes da audiência, a mineradora não avisou aos moradores atingidos sobre o que estava ocorrendo, o que impediu a fuga de vítimas. “Ninguém foi avisado. A barragem começou a romper duas horas antes e daria tempo para avisar todo mundo. Eles tinham o celular de todo mundo e não avisaram ninguém. A preocupação deles era só com o lucro que estava tirando dali, consideravam a gente lixo”, disse Rosilene Gonçalves da Silva, moradora de Bento Rodrigues.

A subprocuradora da República Sandra Cureau, criticou o decreto assinado pela presidente Dilma Rousseff que acrescentou o rompimento de barragens à lista de “desastres naturais”, para fins de saque do saldo do FGTS pelos atingidos.

“Isso pode ser usado pela Samarco para dizer que não deu causa ao desastre. Se foi natural, não é responsabilidade de ninguém. A presidente não pode editar um decreto dizendo que um quadrado é redondo, que uma laranja é azul. Esse desastre não é natural”, disse. “Não será o povo brasileiro, através de seus impostos, que vai pagar pelo desastre que a Samarco, com a sua negligência, causou”.

Mais cedo, pelo Twitter, a Casa Civil disse que o decreto tem como objetivo beneficiar os atingidos com o saque do FGTS. “De forma alguma, exime as empresas responsáveis pela reconstrução das moradias dos atingidos ou do pagamento de qualquer prejuízo individual ou coletivo; haja visto o processo de apuração em andamento e as multas já aplicadas pelo Ibama”.

Multa

O deputado Sarney Filho (PV-MA), que participou de uma comissão externa de deputados que visitou a área atingida no início desta semana, disse que o grupo vai recomendar o fim do limite máximo de multa por danos ambientais aplicado a empresas responsáveis por desastres dessa natureza. A multa máxima, hoje, é R$ 50 milhões para cada dano causado.

Segundo ele, as multas aplicadas à Samarco não tem relação com a obrigação de recuperar o rio. “Multa é penalidade. Recuperar a bacia é uma obrigação legal. Não dá para misturar as duas coisas”, disse. Sarney Filho também criticou a ausência da Samarco na audiência. A empresa foi convidada, mas não compareceu.

O prefeito de Mariana, Duarte Júnior, também criticou o valor baixo das multas e reafirmou que o município pode passar por grave crise financeira do município com o desastre. “Multa de R$ 50 milhões é pouca e a lei tem que prever que a multa seja revertida para os municípios atingidos”.

A Agência Brasil procurou a Samarco para comentar as críticas feitas na audiência, mas ainda não obteve resposta.

Departamento de Produção Mineral muda comando 12 dias após tragédia em Mariana

O Ministério de Minas e Energia informou hoje (18) que o geólogo Telton Elber Corrêa assumirá interinamente a diretoria-geral do Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM). Ele substitui Celso Luiz Garcia, que ontem (17) pediu exoneração, alegando “dificuldades de saúde” para permanência no cargo.

A troca de comando na autarquia responsável pela fiscalização da produção mineral no país ocorre 12 dias após uma barragem de rejeitos se romper em Mariana (MG). Segundo o ministério, Garcia, que estava desde junho no cargo, afirmou que a decisão foi tomada “por orientação médica”.

Luiz Garcia informou que a mudança “abrirá a oportunidade para que outro diretor-geral, em melhores condições de saúde, possa dar continuidade aos projetos que o DNPM necessita”.

Telton Corrêa é funcionário de carreira do DNPM desde 1984. Começou a trabalhar na Secretaria de Geologia, Mineração e Transformação Mineral do Ministério de Minas e Energia em 2009.

O rompimento da Barragem de Fundão, da Mineradora Samarco - controlada pela Vale e pela BHP - destruiu o distrito de Bento Rodrigues e deixou mais de 600 pessoas desabrigadas.

A onda de lama que se formou chegou ao Rio Doce, provocando a mortandade de peixes e impedido o abastecimento de água em cidades de Minas Gerais e do Espírito Santo. Sete pessoas já foram identificadas como vítimas da tragédia, quatro corpos aguardam identificação e 12 pessoas permanecem desaparecidas.

Agência Brasil

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