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quinta-feira, 7 janeiro, 2016 - 22h24

Oferta de frutas é similar em regiões ricas e pobres de SP

Pesquisa da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP revela que a disponibilidade de frutas e hortaliças frutosas (que dão frutos), na cidade de São Paulo, é semelhante em bairros com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) alto e baixo

A conclusão é feita no estudo da nutricionista Julia Mercedes Pérez Florido, que verificou a presença de tipos de frutas existentes em feiras livres e supermercados da cidade.

A pesquisa também procurou identificar a informação nutricional existente sobre cada tipo de fruta.

Com base nos resultados, a nutricionista sugere que o consumidor escolha tipos variados, pois cada fruta possui diferentes concentrações de micronutrientes essenciais para a saúde, como vitaminas e antioxidantes.

As frutas e hortaliças pesquisadas mais adquiridas em São Paulo, de acordo com a Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foram: banana, laranja, mamão, maçã, abacaxi, tomate, abóbora, pepino, pimentão e berinjela.

Marcos Santos / USP Imagens
Feiras livres têm menores preços em áreas com desenvolvimento semelhante | Foto: Marcos Santos / USP Imagens
Feiras livres têm menores preços em áreas com desenvolvimento semelhante

“Para cada fruta foram definidos grupos de mercado, conforme o formato, tamanho e textura, obedecendo os critérios da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) e do Ministério da Agricultura, Abastecimento e Pecuária (MAPA)”, aponta Julia. “No caso da banana, por exemplo, são seis tipos, da terra, nanica, prata, ouro, figo e maçã. Os grupos de mercado foram identificados e registrados em visitas aos vendedores da Ceagesp, em São Paulo”.

As informações sobre disponibilidade de informações nutricionais foram obtidas na Tabela Brasileira de Composição de Alimentos (TBCA/USP e TACO), nas Fontes Brasileiras de Carotenoides e em publicações técnicas. A nutricionista visitou 73 estabelecimentos (55 supermercados e 18 feiras livres) em duas ocasiões, nos anos de 2014 e 2015.

Dos 96 distritos da cidade de São Paulo, foram selecionados: seis com IDH alto, seis com IDH médio e seis com IDH baixo. “Não houve diferenças significativas nos preços de um ano para outro”, destaca a nutricionista. “Independente do IDH da região, em quase 100% dos locais de venda estavam presentes os seguintes grupos de mercado: banana-nanica e banana-prata, laranja-pera, maçã-gala e abacaxi-pérola, entre as frutas, e pimentão-verde e berinjela comum, entre as hortaliças frutosas”.

Em regiões com o mesmo IDH, a variedade de tipos de frutas e hortaliças frutosas era maior nas feiras livres do que nos supermercados, diferença também verificada nos preços. “Numa área de IDH alto, o quilo do tomate tipo grape custava em média R$ 16,90 na feira e R$ 25,30 no supermercado”, afirma Julia.

O estudo apurou que a disponibilidade de frutas nos bairros com IDH alto e baixo é elevada e semelhante, ainda que seja inferior nas regiões de IDH médio. “Esse dado nos surpreendeu, já que a diversidade de frutas e hortaliças foi semelhante entre os distritos de baixo e alto IDH, mostrando que os distritos menos favorecidos possuem também elevada diversidade, o que é muito positivo”.

Julia Mercedes Pérez Florido
Comparação entre grupos de mercado de banana e berinjela realizada durante o estudo | Imagem: Julia Mercedes Pérez Florido
Comparação entre grupos de mercado de banana e berinjela realizada durante o estudo

Informações nutricionais

A pesquisa apontou a ausência de informações nutricionais para alguns grupos de mercado, como no caso da berinjela. “Nas fontes consultadas, só há dados sobre a berinjela comum. Não há nenhum tipo de informação, como o teor de fibras e de vitaminas A e C dos demais cinco grupos de mercado comercializados em São Paulo: japonesa roxa, japonesa preta, branca, conserva e redonda”, ressalta Julia. “Essa lacuna precisa ser preenchida por pesquisas de composição nutricional que incluam os grupos de mercado disponíveis no comércio”.

Segundo a nutricionista, ao saber o valor nutricional de cada tipo de fruta, os nutricionistas podem fazer indicações conforme a necessidade do paciente. “Por exemplo, de acordo com os dados levantados, a banana-terra tem 39 vezes mais vitamina A que a banana-maçã e 30 vezes mais que a banana-nanica. A banana-prata tem o dobro de cálcio que a banana-maçã, ou seja, cada grupo tem sua peculiaridade”, afirma.

Julia sugere que a compra seja feita sempre que possível em feiras livres, pois a variedade é maior do que nos supermercados. “O consumidor também precisa variar os tipos de uma mesma fruta, pois terá maior diversidade de micronutrientes e vai incentivar a produção alimentar, pois a maior parte das frutas e hortaliças frutosas vem de pequenas propriedades”.

Outra sugestão para os consumidores é dar preferência ao consumo de frutas da época, pois as condições de temperatura e chuvas nas regiões de cultivo influenciam nas concentrações de nutrientes.

“Um exemplo é o mamão-formosa cultivado na Bahia, que possui níveis elevados de concentração de carotenoides, substâncias que combatem os radicais livres no organismo, prevenindo a ocorrência de doenças degenerativas”, diz Julia. “A maior incidência do sol na Bahia faz com que o mamão tenha mais carotenoides do que a fruta do mesmo tipo cultivada em São Paulo”.

A nutricionista aponta que as conclusões da pesquisa podem servir de estímulo aos desenvolvedores de sementes para criarem cultivares não apenas resistentes a pragas, mas também ricos em nutrientes.

“A pesquisa constatou que o tomate do tipo grape possui maior concentração de licopeno, um composto antioxidante associado à prevenção do câncer”, afirma. “Esse grupo de mercado surgiu a partir do cultivar BRS Zamir, desenvolvido pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), com o objetivo de produzir um tomate com altos teores de licopeno”.

A pesquisa foi orientada pela professora Deborah Helena Markowicz Bastos e está descrita em dissertação de mestrado apresentada na FSP no último dia 15 de outubro.

Júlio Bernardes | Agência USP

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